O Ministério de Minerais e Energia de Botswana anunciou na sexta-feira que uma nova regulamentação entrou em vigor, exigindo que empresas de mineração destinem 24% de participação em novas concessões de mineração a investidores locais, caso o governo decida não exercer sua opção de compra. A regra entrou oficialmente em vigor em 1º de outubro, marcando uma mudança significativa na legislação de mineração do país.
Anteriormente, sob a Lei de Minas e Minerais, o governo tinha o direito de adquirir 15% de participação em qualquer concessão de mineração licenciada, com possibilidade de participação maior em projetos de diamante. A nova regra amplia a participação local em empreendimentos de mineração e faz parte dos esforços mais amplos de Botswana para aumentar o envolvimento doméstico no setor de recursos do país.
Botswana, reconhecida como o maior produtor de diamantes do mundo em valor, também está se destacando como um destino importante para mineração de cobre na África Austral. O Ministério afirmou que a regulamentação revisada visa garantir maior benefício nacional a partir dos recursos minerais, fomentar agregação de valor dentro do país e promover práticas de mineração sustentáveis por meio da criação de fundos de reabilitação ambiental.
“A exigência de 24% de propriedade local em novas concessões de mineração entrou em vigor”, disse o Ministério em seu comunicado. Ressaltou que a política reflete o compromisso do governo em melhorar a participação local e fortalecer a cadeia de suprimentos de mineração de Botswana.
A proposta da regra de propriedade foi apresentada pela primeira vez em 2023 como parte de alterações legislativas ao rascunho da Lei de Minas e Minerais. No entanto, nenhum cronograma para implementação havia sido anunciado até a declaração oficial confirmando sua aplicação neste mês.
Durante as discussões parlamentares sobre a emenda, o ex-ministro de minas de Botswana destacou que investidores locais poderiam adquirir participações em novas concessões com apoio financeiro de fundos de pensão domésticos. Essa abordagem visa tornar a política acessível a entidades locais e garantir que oportunidades de propriedade se estendam além das grandes corporações, incluindo investidores e instituições locais.
Analistas veem a medida como parte da estratégia contínua de Botswana para diversificar sua economia mineral e aumentar os retornos nacionais da exploração de recursos naturais. O governo também enfatizou que a política é projetada para incentivar indústrias de agregação de valor, como processamento mineral e manufatura, ajudando a criar empregos e reter mais benefícios econômicos dentro do país.
Ao combinar maior propriedade local com requisitos ambientais e sociais mais rigorosos, Botswana busca equilibrar o desenvolvimento de recursos com a sustentabilidade de longo prazo. A introdução da exigência de 24% de participação local está alinhada à visão do governo de expandir a participação comunitária e apoiar o crescimento econômico nacional por meio de investimentos responsáveis em mineração.
Com essa mudança, Botswana continua a modernizar seu marco de mineração para atrair investidores estrangeiros e domésticos, garantindo que uma parcela maior da riqueza mineral do país beneficie seus cidadãos e apoie o desenvolvimento industrial sustentável.









