A Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) realizou sua primeira conferência internacional sobre inteligência artificial (IA) e energia nuclear em 3 de dezembro na sede das Nações Unidas em Viena, focando em como a energia nuclear pode atender à crescente demanda de eletricidade dos centros de dados de IA e como a IA pode apoiar o desenvolvimento da tecnologia nuclear.

Em seu discurso de abertura, o Diretor-Geral da AIEA, Rafael Mariano Grossi, afirmou: "Duas forças estão moldando o futuro da humanidade em um ritmo sem precedentes: o surgimento da IA e a transição global para energia limpa e confiável." Ele também destacou que a energia nuclear é uma fonte que combina capacidade de geração de baixo carbono, operação confiável 24 horas por dia, alta densidade de potência, estabilidade da rede e escalabilidade.
A AIEA divulgou um comunicado informando que dados da Agência Internacional de Energia mostram que os centros de dados representaram 1,5% da demanda global de eletricidade em 2024, e esse número pode dobrar até 2030. A energia nuclear, com sua capacidade de fornecer eletricidade confiável e de baixo carbono, está cada vez mais sendo vista como uma solução crucial para atender a essa demanda. Simultaneamente, a IA oferece ferramentas poderosas para otimizar o desempenho dos reatores, simplificar processos de construção e aumentar a eficiência operacional, ajudando a energia nuclear a liberar todo o seu potencial enquanto garante os mais altos padrões de segurança.
Em seu discurso principal, Liu Jing, Vice-Diretor da Autoridade de Energia Atômica da China, afirmou que a China atribui grande importância à governança global e à cooperação para o desenvolvimento da IA. Em 2023, a China propôs uma Iniciativa de Governança Global de Inteligência Artificial, que tem grande significado para promover a integração orgânica e a melhoria qualitativa da IA com indústrias tradicionais e emergentes, incluindo a energia nuclear. A China está implementando profundamente a ação "IA+", promovendo de forma segura e ordenada uma ampla e profunda integração da IA em toda a cadeia industrial nuclear.
Liu Jing afirmou que a China está disposta a, guiada pelo conceito de construir uma comunidade com um futuro compartilhado para a humanidade, aprofundar a prática das quatro grandes iniciativas globais e, em conjunto com a AIEA e todas as partes, compartilhar oportunidades, enfrentar desafios conjuntamente e trabalhar de mãos dadas para promover o empoderamento bidirecional e o desenvolvimento sinergético entre inteligência artificial e energia nuclear, contribuindo com sabedoria e soluções para a construção de um mundo limpo, belo e sustentável, e para a criação de um futuro melhor para a humanidade.
A conferência, que durou dois dias, contou com a participação de mais de 500 representantes de alto nível de governos, organizações internacionais, indústria nuclear e empresas de tecnologia.









